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Figuras marcantes da Nouvelle Vague: Anna Karina e Jean-Paul Belmondo

Anna Karina

Anna Karina foi uma das grandes atrizes da Nouvelle Vague, sendo um dos rostos que representaram o movimento. Assim como Truffaut, Anna Karina teve uma complicada infância e adolescência, o que resultou em sua fuga para Paris (ela é dinamarquesa) aos 17 anos.

O pequeno detalhe é que ela não falava francês, além de não ter dinheiro algum. Mas como em um sonho, graças ao seu belo rosto, Anna Karina conhece uma publicitária, começa a trabalhar como modelo, conhece Coco Chanel (que ajudar a criar seu nome artístico – seu nome real é Hanne Karin), participa de um comercial…

 conhece Godard e o resto da história todo mundo sabe. Junto com Godard, Anna Karina fez diversos filmes, mas também trabalhou com nomes importantes como, Rivette, Fassbinder e Visconti, além de ter escrito roteiros e ter uma carreira como cantora.

Honestamente, tem dias que dá vontade de ser Anna Karina.

Jean-Paul Belmondo

 

Jean-Paul Belmondo representou um dos personagens mais célebres da Nouvelle Vague, o adorável malandro Michel. Belmondo também era um enfant terrible, tendo sido um péssimo aluno, o que o levou a tentar a carreira de boxeador, mas isso também não deu muito certo, foi então que aos 17 anos começou a atuar.

Seu primeiro filme foi Acossado, atuou também em filmes de Truffaut e Chabrol. Belmondo, curiosamente, esteve no Brasil em 1964, gravando em Brasília cenas do filme O Homem do Rio (mais um filme para minha lista).

Após 1965, Belmondo participa de filmes mais comerciais, no entanto, depois de um certo período ele se concentra na sua carreira teatral.

Amiguinhos

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Processando Godard

“Não tentarei comunicar através da escritura a alegria física e a dor física que sentimos em determinados momentos de Acossado (A bout de souffle) e de Viver a vida, àqueles que não as sentem.”

(Truffaut)

Processando Godard por todos os adoráveis males que me proporcionou.

  Confesso que apesar de eu ser uma pessoa que vê filmes com certa regularidade, nunca tive nenhuma espécie de seletividade na escolha desses, de forma que meu conhecimento sobre cinema é meio ridículo. Então, assumo que só vi meu primeiro filme do Godard aos 19 anos. Foi Acossado no cinema. Ter a possibilidade de ver justamente este filme no cinema foi um dos momentos mais perfeitos da minha vida . Ironicamente, nesse dia eu estava pensando seriamente em abdicar todas as minhas aspirações artísticas (não só cinematográficas), porque a realidade é muito dura para acreditar em fazer arte, para acreditar em qualquer sonho.

  Então, eu vi Acossado. E parecia que estava vendo o filme que eu sempre vivi na minha imaginação. Todos aqueles cigarros, aquelas conversas, as roupas, as referências, aquele amor tão perturbado que só com muito romantismo cafajeste (que eu particularmente adoro) pode se chamar de amor. Foi demais para a realidade. Mesmo que eu tenha repetido mil vezes minhas teses sensatas, Godard me pegou de jeito. Quando eu vi já estava lá, vivendo filmes imaginários, tão parecidos com os dele. Mas os dele existiam, estavam ali, prontos, influenciando pessoas desde que nasceu e agora me arrebatando.

  É fácil entender porque Acossado é a versão perfeita de filmes que eu imaginei antes mesmo de assisti-lo, é justamente porque fragmentos de Godard estão espalhados por aí, intrínsecos a imaginação contaminada dos cineastas desde que a Nouvelle Vague surgiu. Eu me encantei com tantas cenas inspiradas em Godard – e tentei por tanto tempo reproduzi-las em minha vida – que quando vi a fonte original delas, foi o ápice para o meu coração e toda a falsa sensatez que ele tentava adquirir.

  Eu deveria processar Godard.

  Se não fosse por ele eu estaria vivendo minha vida, estritamente concentrada na realidade. Estaria agora presa às horas, as tarefas, as ações automáticas e práticas, seguindo minha vida, conformada. Se não fosse Godard eu não teria essa danosa visão subjetiva, essa fome por transver o mundo, essa constante implantação de imaginação onde só há dia-a-dias monótonos. É por culpa dele que, mesmo de mentirinha, eu continuo. E só isso é necessário, continuar. O cinema de Godard me permitiu sonhar. Sonhar para impulsionar o viver, para apenas viver.

(texto escrito ano passado, alguns meses após eu ter assistido Acossado)

Escrito por Taís Bravo

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