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Resenhas instantâneas – direto do Festival do Rio

Devido a problemas técnicos (atrasos, sessões lotadas, ressacas e afins) só consegui ver algum filme do Festival do Rio hoje (ou seja, piorei minha programação absurdamente). Assisti a dois filmes: “Chuva” e “A Pequenina”. Aí, vão as minhas mini-resenhas sobre eles:

“Chuva” de Paula Hérnandez

Chuva é um filme agradável e, sem dúvida, muito bem produzido (oi? o que é aquela água caindo o tempo todo, todo o tempo?), mas confesso que me decepcionou.

O roteiro de “Chuva” não consegue convencer ao telespectador o drama vivenciado pelos personagens. O que é uma pena, já que a trama possui potencial, que a não ser devidamente explorado, acaba não comovendo. A tristeza, a solidão e a sensação de perda de eixo dos personagens poderiam ser abordadas de maneira mais profunda, os diálogos muitas vezes acabam sendo pobres, em contraste com a beleza das imagens – pois “Chuva” visualmente é impecável, com uma fotografia inteligente e rica. Lógico que minha opinião é marcada pela minha admiração por filmes com roteiros bem desenvolvidos, contudo creio que nesse caso, a decepção com o filme não se limita a esse gosto particular.

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Além disso, enxerguei uma influência de “Antes do Amanhecer” no filme (mas não sei se é só coisa da minha cabeça, o que é provável já que eu sou apaixonadinha pelo Linklater), a idéia de dois estranhos que se aproximam e compartilham seus dilemas pessoais não me é estranha, e as imagens do final aumentaram ainda mais essa sensação. Essa comparação pode ter também contribuído para aumentar minha sensação do filme não ter correspondido a seu potencial, como se algo tivesse desandado no meio de sua construção, afinal “Antes do Amanhecer” tem sua base nos diálogos.

No entanto, “Chuva” é um filme bem feito, como eu já disse, rico visualmente e vale a pena prestar atenção na diretora Paula Hérnandez, porque de fato talento ela tem, resta saber como esse irá se apresentar em seus próximos trabalhos.

Ainda está em cartaz nesses horários:

Quarta – 30/09/2009 Cine Santa 19:00:00 hs
Sexta – 02/10/2009 Est Barra Point 1 15:45:00 hs BP1

“A Pequenina” de Tizza Covi e Rainer Frimmel

(acho que vou exagerar na pagação de pau com esse filme)

Depois de ver “A Pequenina” cheguei a conclusão que todo o trabalho o qual os diretores se dedicam para dirigir crianças, deve ser totalmente recompensado pelo carisma que essas acrescentam aos filmes. “A pequenina” é um filme carismático do início ao fim. Creio que só alguém muito frio não se encanta com a maravilhosa Asia que com seus dois anos não é só lindinha demais, como muito esperta e divertida. Mas o brilho de “A Pequenina” está longe de se limitar aos encantos de Asia, todos os personagens são trabalhados de maneira interessante ao longo da trama, recebendo seus devidos destaques (tem como não se apaixonar por Patti e por Tairo?). Além disso, a partir de uma trama simples, o filme se desenvolve de maneira belíssima, com uma fotografia excepcional, diálogos inteligentes, sacadas divertidas e uma leveza que dá gosto. É um filme que comove e sem muitas pretensões conquista o espectador.

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Não tem como não falar particularmente da fotografia de “A Pequenina”, seus diretores são fotógrafos de formação, isso se reflete na riqueza com que as imagens são compostas, sendo tão instigantes em movimento que nos dá vontade de fixá-las em quadros. É algo mesmo muito inspirador e doce para os olhos.

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Para mim, um dos trechos mais interessantes de “A Pequenina” é a conversa entre Patti e Tairo sobre a infância, sobre como é uma fase tão bela e como, infelizmente, nem todos podem a viver com alegria. Instintivamente, relacionei com “Os Incompreendidos”, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, e cheguei àquela conclusão lá de cima, sobre como os filmes que giram em torno do tema da infância tendem a serem saborosos e como são capazes de nos transpor até essa realidade leve e bonita de ser uma criança.

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Saí do cinema feliz, tocada pela delicadeza do filme. E ao pesquisar sobre esse para escrever esta resenha, me encantei ainda mais, como descobri neste site, os atores do filme eram próprios moradores daquela comunidade, a qual os diretores já haviam trabalhado anteriormente, em um documentário. Recomendo que assistam a “A Pequenina”, uma obra honesta e sensível, coisa rara de se ver no mundo de profundidade forçada em que vivemos.

(pelo amor de deus, olha essas cores! ^)

Ainda está em cartaz nesses horários:

Terça – 29/09/2009 Estação Ipanema 1 13:00:00 hs IP121
Terça – 29/09/2009 Estação Ipanema 1 17:30:00 hs IP123

Escrito por Taís Bravo

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