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O sumiço

Nós sumimos e não devemos nenhuma justificação para isso – afinal, esse tipo de comportamento é comum entre autores de blogs.

E, no entanto, sinto uma terrível necessidade de explicar. Explicar, porque sinto este espaço como um blog de formação.

O Pulei surgiu em um período de descoberta, nossa paixão por cinema começava a enveredar em algo mais forte e se unia à nossa vontade de se expressar e dialogar com outros apaixonados. Desde então, muita coisa aconteceu e quem acompanha sabe. Em menos de um ano esse blog nos levou a muitos lugares, deu vazão a nossas vivências e, ao mesmo tempo, influenciou novas. Sendo assim, aqui se encontram nossas histórias, influências, paixões, adoráveis tormentos (as mostras e festivais em momentos indevidos), campanhas (a divulgação do Histórias de Amor – filme que marcou esse blog e nossas vidas), descobertas e mudanças.

A pausa é, então, também um reflexo de nós, 2010 é um ano intenso, novos caminhos, novos questionamentos e mudanças que pedem tempo para serem absorvidas. Precisamos de um tempo, eu e Natasha, pra compreender tudo que está nos acontecendo, todas as novas perspectivas e possibilidades (que estão, sem dúvida, relacionadas à nossa forma de ver a arte, porque arte e vida são indissociáveis para nós). Estamos deixando lacunas no blog, pra tentar responder as nossas próprias faltas, pra amadurecer algumas idéias. Nem sempre improdutividade é negativo e, às vezes, o que parece pausa faz parte de um movimento mais sutil.

Contudo, felizmente, eu sinto que chega a hora de nós forçarmos a mão e compartilharmos nossas transformações teóricas, emocionais, filosóficas…

Aguardem.

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A Sombra de uma dúvida e as pessoas da sala de jantar

(Escrever sobre Hitchcock é um spoiler. Não leia se não viu o filme.)

Hitchcock é sagaz.

Seus filmes carregados de um suspense absurdamente inteligente são eletrizantes e conseguem unir o choque, o medo e a expectativa – sensações muito mais relevantes no campo no entretenimento – a fortes questões éticas e filosóficas, sendo assim grandes fontes de reflexão. Além disso, a obra de Hitchcock se impõe como arte pela sua perfeição técnica (que nada tem a ver com meros efeitos especiais e sangues e lutinhas à lá Tarantino ou Avatar – falo mal sem ver, assumo) e a sua incontestável autoridade. Contudo, sua sagacidade atinge o ápice através da ironia perfeitamente executada: o público que ama seus filmes, é o público que Hitch critica e ridiculariza ferozmente – graças a sua requintada discrição, digna de um psicótico.

Em A Sombra de uma Dúvida, (Shadow of a doubt) Hitchcock avacalha a sociedade americana e seu ideal de família e heroísmo no início ao fim, sem contudo, a negar um final feliz para toda a eternidade. Sagaz, sagaz.

A história centra-se em dois personagens, Charlie e Charlie, tio e sobrinha. O primeiro Charlie que aparece está deitado na cama, o ambiente, a trilha sonora e o fato de ser um filme de Hitchcock, já nós fazem suspeitar de sua imagem. Charlie, a sobrinha, em sua primeira aparição encontra-se em posição idêntica ao tio – demonstrando o elo entre os personagens, que perpassa o nome. Esta primeira aparição de Charlie, a sobrinha, é impactante, logo de cara, ela nos dá um esplêndido diálogo sobre o quão trivial e vazia é a vida da família (americana) e o quanto isso a perturba:

 “Já parou para pensar que uma família deveria ser uma coisa maravilhosa? E que esta família está um marasmo?… Estamos apenas sobrevivendo e nada acontece. Uma monotonia. Há meses que penso nisso. Qual será o nosso futuro?… Comemos, dormimos e isso é tudo. Nem mesmo conversamos sobre as coisas sérias. Apenas falamos.”

 Após apresentar, de maneira tão natural e convincente, uma questão existencial profunda como esta, esperamos que Charlie se levantasse da cama e fosse viver com os Hippies em São Francisco, certo? (eu sei, eu sei, o filme é de 1942, mas é um anacronismo relevante, convenhamos) Charlie, para nossa frustração, cede a um niilismo e diz que não fará nada, só um milagre irá a salvar (milagre? Milagre após todo esse discurso? Milagre em um filme de Hitchcock? Lá vem…).

E vem mesmo. O tal milagre que irá sacudir – palavras da própria Charlie – a tediosa vida familiar chega, é Charlie, o tio. Até o momento em que Charlie chega na cidadezinha de Santa Bárbara, temos todos os motivos para suspeitarmos de seu caráter. E isso é uma das coisas geniais de Hitchcock, quase sempre está na cara quem é o mau elemento da trama, mas muitas vezes ficamos em dúvida, esperando que algo fantástico nos surpreenda e o vilão seja outro (e sempre nos surpreendemos mesmo que o vilão seja o que sempre soubemos) e mesmo quando é óbvio quem é o assassino a tensão não se dissolve, o suspense não se cessa.

Pois bem, Charlie, o tio, chega e nós já sabemos que ele é encrenca. Mas Charlie, a sobrinha, é completamente devota ao tio – de uma forma até meio bizarra – diz, inclusive, que eles são iguais, são gêmeos e que o entende, sabe que ele tem um segredo (e diz de forma que nos dá a impressão que ela também tem um) e que o irá descobrir.

Ao longo da trama torna-se explícita a estranha conexão entre Charlie e Charlie, como um jogo de sombras – justificando o título. Charlie, a sobrinha, desempenha o papel da típica moça de família, “the girl next door”, carrega assim certo ar de heroína – característica recorrente na sociedade americana, na qual homens e mulheres que cumprem seus papéis familiares de forma exemplar, seguindo estritamente a moral adequada, são exaltados como heróis. Charlie, o tio, atua como a sombra de Charlie, ele é exatamente a ovelha negra da família, no entanto, ainda belamente disfarçado sobre uma refinada pele de cordeiro.

É Charlie, a sobrinha, quem descobre a sombria identidade do tio. Com tal descoberta seu mundo rui, pois, veja bem, Charlie era seu gêmeo, seu exemplo, eram um ser fantástico e instigante que ela não só admirava, como tinha como semelhante. Charlie, sua sombra, transforma-se assim em uma aberração, um atentado à família, à moral e à humanidade. É o horror, a decepção máxima.

A situação é ainda mais trágica, pois a admirável Charlie é uma heroína que apesar de suas reclamações, dedica-se a família. Imagine o quão terrível seria contar a sua própria mãe que seu irmão não passa de um assassino frio e doentio que nem ao remorso se dá a dignidade de sofrer.

Contudo, em meio a todo esse horror, Charlie encontra um homem, um homem comum, um detetive policial – vejam só que profissão honrada, digna de um homem-herói – que a princípio se apresenta sob o disfarce de um pesquisador que deseja entrevistar a família de Charlie por essa ser um exemplo perfeito da típica família americana. Charlie diz não gostar de ser vista como uma garota típica, normal – ela se considera especial – mas mesmo assim aceita o convite para jantar com o pesquisador que irá mais tarde descobrir ser o detetive a procura de seu querido tio Charlie.

No final, o assassino, o psicótico, a anomalia em meio à ordem, tem o final que a platéia considera como o merecido, a morte. Esses seres nunca saem impunes nas histórias de Hitchcock, no entanto, não importa o castigo que recebem, é inevitável, poluem a incontestável beleza de uma sociedade civilizada com o fel que escorre de suas almas perturbadas.

Para os espectadores atentos, é impossível fugir a pergunta: Por quê? Por que este homem fez isso? O que cria atos tão brutais e desumanos?

E o pior, de alguma forma, esses personagens problemáticos carregam em si alguma verdade, há em seus modos frios e olhares distantes um realismo que parece mais honesto e desperto do que as convicções cegas das mocinhas. É inegável que em A Sombra de uma Dúvida, por mais terrível que Charlie, o tio, seja é ele quem dá a lição de moral. Quanto à Charlie, ela encontra o seu final, a tragédia se dá, mas a liberta e, então, pode enfim, resolver a tal dúvida – que existe quase inconscientemente- e se assume como a garota normal a um passo do casamento com um homem normal, dando continuidade ao marasmo e as costas ao horror.

 Taís Bravo

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Hitchcock

“Ele é o homem por quem gostamos de nos saber odiados.”

(Truffaut sobre Hitchcock e Janela Indiscreta)

Essa semana no Pulei pela Janela textos sobre Hitchcock e sua incrível obra. Contanto com a colaboração especial de Ilana Goldfled (@ilana_gold).

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As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas é o primeiro longa de Sofia Coppola e trata-se da adaptação de livro homônimo (que eu recomendo, é bem gostoso de ler). Contendo uma trama mórbida, o filme inova pelo seu tom feminino – marca da obra de Sofia – leve e despretensioso.

A história das cinco irmãs que se suicidas é contada sob a perspectiva de um grupo de meninos que nutriam uma paixão platônica por essas. Assim, o que é relevante para a obra de Sofia é expor a interpretação desses sobre essa particular história, e não revelar o que realmente motivou o suicídio das meninas (afinal, existem respostas absolutas para este tipo de acontecimento?). Dessa forma, uma áurea fantasiosa perpassa as imagens, acompanhando a mente sonhadora dos meninos.

 O filme carrega esta áurea fantasiosa, incrementada por uma nostalgia e um romantismo, através de seu cenário, sua iluminação (diversas imagens sob uma luz solar remetem a sensação de um verão abafado, agridoce) e trilha sonora – elementos que Sofia sabe compor som maestria.

O ambiente familiar das irmãs é totalmente construído para provocar a idéia de clausura e de fato, sentimos, não só na casa das Lisbon, como em todo o bairro, um ar abafado. Já nas imagens destinadas a imaginação dos garotos, vemos as garotas em campos abertos, dançando, livres. As irmãs Lisbon são heroínas para eles, eles as usam como alimento para suas fantasias, viajam com elas, matam seus tédios. Inclusive, Sofia as apresenta como heroínas, como nas imagens abaixo.

Ao partir da visão dos meninos, Sofia nos insere dentro do mundo de paixões adolescentes, dando leveza à difícil temática. Se, no entanto, esse ambiente adolescente é passível de situações ridículas, cafonas e exageradas, a inocência dos personagens nos faz reconhecer a seriedade por trás desses excessos. A adolescência é um período marcado por deturpações, tomamos o mundo com uma intensidade única, o que nos leva a uma condição muitas vezes constrangedora, contudo, absurdamente honesta e vívida.

No fim, é esta a grande pulsão por trás de As Virgens Suicidas, as meninas perdem suas vidas, mas seus admiradores, ao recriarem um universo a partir dos vestígios de suas existências, intensificação e valorizam as suas próprias.

“E assim aprendemos sobre suas vidas e colecionávamos lembranças de tempos que não vivemos. Sentimos a clausura de ser uma garota, como deixava sua mente ativa e sonhadora e como aprendia quais as cores que se combinam. Sabíamos que as meninas eram mulheres disfarçadas que entendiam o amor e até a morte e nosso papel era apenas criar o tumulto que as fascinava. Sabíamos que elas sabiam tudo sobre nós e que nunca desvendaríamos seu íntimo.”

Escrito por Taís Bravo

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Encontros e desencontros

Em Encontros e desencontros, Sofia Coppola filma o mundo como um local estranho, no qual a sensação de solidão e incompreensão é constante. Embora Sofia se utilize da cidade de Tóquio para construir uma história sobre o sentimento de não pertencimento, a angústia apática que afeta os personagens é muito mais filosófica do que geográfica/cultural. É possível ser um estrangeiro em terra natal. Charlotte e Bob, os dois personagens principais, sentem-se solitários, entediados, tristes em um local cheio de peculiaridades que mais os violentam do que entretêm, no entanto, tais sentimentos são mais reflexos de suas insatisfações pessoais do que da cidade em si.

Charlotte é uma jovem que após terminar seus estudos em Filosofia, não sabe exatamente o que fazer de sua vida, além disso, seu casamento de dois anos parece tomar rumos estranhos, ela se sente sozinha, a comunicação com o marido já é deficiente. Bob Harris é um homem de meia-idade, ator famoso em decadência, embora ganhe milhões para um simples trabalho de publicidade, não sente mais satisfação profissional, seu casamento é um desastre, também não é um bom pai.

Em Tóquio, os dois percorrem caminhos estranhos, hostis e, às vezes, tão absurdos que são ridículos, como a atriz Hollywoodiana patética e um programa de TV trash japonês (que poderia facilmente ser o da Luciana Gimenez). Sofia faz uso desse ridículo, com a ajuda da ótima atuação de Bill Muray, para dar humor ao filme, o que contribui para este não se tornar enfadonho e apático.

Sofia faz um trabalho impecável com as imagens desse filme, aliás, elas têm mais peso que os diálogos, há muito a se ler nas entrelinhas delas. Para mim, há três imagens do elevador merecem destaque, pois de certa forma, conduzem a história entre Bob e Charlotte. A primeira cena Bob aprece como o único “diferente” em meio (e Sofia faz questão de posicioná-lo justamente no meio) a uma maioria predominante, na segunda, Charlotte também está no elevador e sorri para Bob é o início do encontro e a terceira, estão só os dois, há uma tensão óbvia, na qual a despedida já se apresenta.

Ao se encontrarem, Charlotte e Bob estabelecem uma comunicação fluída, confortável. Esta sintonia ameniza a solidão, torna a vivência mais agradável, embora o mundo continue sem sentido. Através de seus estranhos passeios por Tóquio, desenvolve-se um relacionamento bizarro entre eles. A atração é óbvia, no entanto, em vez de um flerte barato e superficial, o que se constrói é um companheirismo baseado no carinho, na identificação. Dessa forma, cria-se uma tensão sexual nunca resolvida, talvez pela mágica do relacionamento se resguardar no desencontro em meio ao encontro, na impossibilidade, em seu ar platônico.

Uma cena definitiva para o filme é a da conversa no quarto de Bob, a partir dela, o drama dos personagens torna-se mais evidente e também se direciona o caminho que o relacionamento entre os dois irá seguir. (Parênteses para dizer que o amo essa cena absurdamente, já vi e revi umas trinta mil vezes e sempre acho que foi escrita pra mim, porque eu sou clichê. E se eu não escrevo mais sobre ela é porque penso que é uma cena que fala por si, não cabe explicações, só há uma maneira de entender aquilo, instintivamente, sentindo na pele.)

Encontros e desencontros é melancólico, pois mostra o quanto o mundo é solitário em sua falta de sentido. Além disso, pelo próprio relacionamento entre Bob e Charlotte, o filme expõe o quanto a vida é cheia de acontecimentos estranhos e imprevisibilidade, mas, talvez seja justamente por isso que insistamos tanto em vive – lá. Um encontro pode modificar tudo.

(PS: Sofia também merece o crédito de ter conseguido tirar de Scarlett Johansson uma atuação carismática – coisa rara, bem rara.)

Escrito por Taís Bravo

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Maria Antonieta

Maria Antonieta é um filme que despertou fortes polêmicas e diferentes opiniões. Muitos o criticam, justificando que esse apresenta um descompromisso com a realidade e suas questões sócio-políticas. Eu não compartilho desta opinião.

Primeiramente, porque Sofia Coppola deixa claro que seu filme não tem a pretensão de ser um relato ao pé da letra da história, mas sim uma interpretação, uma adaptação criativa de alguns fatos (o all star, as cores, a trilha sonora, tudo isso comprova a despreocupação de Sofia com a verossimilhança). Sofia usa sua imaginação e ares fantásticos para recontar uma história, isto não significa que o filme assuma uma postura indiferente à realidade.

  Maria Antonieta é uma obra original e extremamente autoral que se apropria da realidade para criar um universo próprio – a partir da releitura de Sofia – sem perder uma conexão, um significado, completamente relevante para a vida que existe fora do cinema.

  Ao retratar a história a partir da perspectiva de Maria Antonieta, Sofia expõe uma existência em tons adolescentes, na qual os relacionamentos e as ações são mesquinhos e hipócritas. Dessa forma, se Sofia assume a difícil missão de cumprir uma defesa de Maria Antonieta, não se trata de assumir o lado da nobreza em plena Revolução Francesa, mas, sim, relativizar, demonstrar o lado humano destes personagens e problematizar uma questão a muito tempo reduzida a um falso maniqueísmo.

  Alguns condenam Sofia por mostrar a rainha como possível vítima, não acredito que isso seja um erro, muito menos alguma posição política reacionária. Pelo contrário, a partir dessa visão, o filme expõe o quanto aquele sistema (que de muitas formas ainda prevalece) é nocivo aos homens, reduz suas liberdades e, assim, a possibilidade de construir uma vida própria e feliz. Há uma constante ênfase no filme a opressão  causada pelas obrigações sociais, norma fundamentadas nas aparências, favorecendo exclusivamente a permanência de um sistema econômico.

  Sofia mostra uma Maria Antonieta fútil e inconsciente, que busca suavizar seus problemas e sua existência vazia através de exageros. Dessa maneira, um assunto extremamente atual é posto em voga, o hedonismo e o niilismo. De fato, a possível rebeldia da rainha se resume aos prazeres efêmeros, roupas, festas, comidas. Sofia expõe, honestamente, o quanto esse tipo de ação pode ser prazerosa, a trilha sonora, as roupas, as cores, tudo dá um tom delicioso as cenas. Contudo, da mesma maneira, deixa claro que há o dia seguinte e o vazio e a insatisfação permanecem (para muitos passa despercebida a cena após a festa de aniversário de Maria Antonieta, a sala imunda, seu olhar perdido na banheira).

  Aliás, Maria Antonieta só aparece mais feliz quando se afasta da vida social, na fase do Petit Trianon na qual há cenas belíssimas. Assim, mais uma vez, Sofia aponta seu argumento, a sociedade corrompendo a individualidade e a liberdade do homem.

  É interessante pensar no que motivou Sofia contar esta história (sem, no entanto, se apegar a qual seria sua intenção, já que esta é uma questão extremamente árdua de se definir). Percebo Sofia como um Górgias moderno, expondo a defesa de uma mulher que foi absurdamente rechaçada pela história, não tanto por crer na sua inocência, mas principalmente por não resistir a uma vontade de problematizar, utilizando a palavra como brinquedo. No caso de Sofia, o brinquedo são imagens, sua capacidade inspiradora de criar e compor universos nunca antes existentes.

Escrito por Taís Bravo

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Sofia Coppola

Esta semana este blog irá dedicar alguns posts ao trabalho de Sofia Coppola. É uma idéia que está para ser colocada em prática há algum tempo, escrever mais sobre alguns diretores e suas obras. Já falamos aqui sobre Woody Allen, David Lynch, Truffaut, mas não se aprofundando muito no trabalho destes. A idéia deste especial é abordar brevemente a biografia de Sofia e apresentar visões sobre seus três filmes.

Escolhi a Sofia Coppola para por essa idéia em prática porque ela, junto com o Richard linklater e o Woody Allen, formam o trio que me fez começar a amar cinema de verdade. Além disso, não vou negar, não é muito difícil conhecer sua obra completa, rs.

Sofia Copolla já declarou que não era realmente boa em uma só área, sabia um pouco de diferentes tipos de arte e resolveu utilizar esses pequenos domínios em um filme. De fato, ela teve uma sorte que poucos têm, por ser filha de Francis Ford Coppola, continha não só o apoio familiar, como também da mídia (embora ela soubesse, por experiências anteriores, que qualquer escorregão significaria ser completamente rebaixada). No entanto, é inaceitável diminuir seu trabalho por essa facilidade, principalmente, quando ela se mostra uma diretora competente e extremamente inventiva em seus filmes.

Sofia merece destaque, primeiramente, pelo caráter autoral impresso em sua obra e pela sua capacidade criativa de construir universos – fazendo uso, para isso, de cenários, figurinos e trilhas sonoras impecáveis.

As personagens de Sofia Coppola são outsiders, meninas oprimidas pelo meio em que vivem e por um vazio existencial. É, basicamente, essa a temática que perpassa nos três filmes da diretora, embora todos sejam ricamente diversos um do outro. Não é preciso muito esforço para imaginar que muito dessas meninas vem da própria Sofia. Tenso sido criada em meio às grandes figuras de Hollywood, lidou não só com as pressões sociais deste ambiente, como também – pelo menos, eu imagino – suas próprias cobranças individuais. Sofia teve acesso a todo tipo de informação cultural, boa educação, inúmeros contatos com artistas e a chance de experimentar diferentes tipos de expressões, o que é, certamente, uma sorte. No entanto, tais facilidades vem acompanhada das tais cobranças.

Sofia passeou por diversas formas de arte até se encontrar no cinema e antes disso, sofreu um período de limbo, insegura sobre seus talentos. Tanto estas incertezas, quanto as diferentes experiências, foram fundamentais para o seu trabalho como cineasta, diria, inclusive, que é nessas raízes onde se encontra seu diferencial.

É bastante evidente o quanto o desespero de Maria Antonieta para ser aceita tem influência da experiência de Sofia, talvez uma Sofia adolescente, tendo fracassado como atriz, sendo rechaçada e humilhada por uma mídia cruel. A crise de Charlotte que se sente empacada na vida, sem saber exatamente o que fazer. E dificilmente, quem já foi uma menina de 13 anos não vai compreender e se identificar com a angústia das Virgens Suicidas.

(quer maior prova do quanto Sofia é autoral do que isso?)

Estes três filmes fantásticos e femininos serão abordados essa semana aqui, acompanhem!

Escrito por Taís Bravo

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