Histórias de amor duram apenas 90 minutos

(Sexta que vem estréia o esperado, Histórias de amor duram apenas 90 minutos, portanto, vamos repostar (?) nossas resenhas sobre o filme. Dia 12 todo mundo no cinema, hein!) 

 

Eu tenho uma mania: assim que acabo de ver um filme vou logo pesquisar sobre ele. Gosto disso porque é uma maneira de descobrir mil informações que passam batidas ao se assistir só uma vez uma produção. Filmes falam muito mais do que imaginamos. 

Com “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” não foi assim. Não que eu não tenha ido pesquisar sobre ele (mania é mania), mas não senti tanta necessidade de fazer isso – ao sair da sala de cinema, senti ter compreendido quase tudo. 

Paulo Halm conseguiu realizar um filme sobre uma geração com uma clareza e precisão admiráveis. As locações, a fotografia, a câmera, os personagens, tudo se encaixa e provoca identificação no espectador. É difícil ser carioca e não reconhecer as ruas do Centro e a praia de Ipanema, mas mais difícil ainda é ser apresentado aos personagens e não sentir já tê-los conhecido.

Não sei quanto à maioria dos leitores do blog, mas eu conheço algumas Júlias – mulheres lindas, inteligentes, decididas e frias aos olhos de muitos, mas capazes de largar uma bolsa de estudos dos sonhos em Paris por amar um homem. Também já encontrei Caróis, espontâneas, divertidas, liberais e absolutamente inconseqüentes. Sem falar na galera “cool”, onde há espaço para sexo, drogas, rock’n’roll, samba e poesia. E o Zeca. Pois é. Ele não é o personagem principal desse filme por acaso – ele é a geração inteira que Paulo Halm deseja retratar.

Zeca tem 30 anos e vive como adolescente. Não tem emprego, perspectivas ou confiança no seu talento, passa os dias fumando, bebendo, lendo e fingindo escrever. Zeca é um escritor que não escreve, um projeto estagnado, uma farsa. E ele sabe disso, mas não sabe o que fazer para mudar sua vida. As coisas acontecem na sua frente e ele não consegue controlá-las. E isso o angustia.

Em uma entrevista, o diretor e roteirista de “Histórias…” disse: 

“O filme é sobre a geração que, apesar de ter talento, nunca decola. São escritores que escrevem e não publicam, cineastas que não filmam, compositores que não gravam…” 

É exatamente isso que vemos na tela. Através de conflitos internos, triângulos amorosos, crises existenciais, problemas familiares, paixões e outras pequenas trivialidades tão presentes e importantes em nossas vidas, Paulo Halm fez um ótimo filme, além de ser muito atual. Vejam, seja para se identificar ou só para conferir o funk do Baudelaire (g-e-n-i-a-l). 

Escrito por Natasha Ísis

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11 Comentários

Arquivado em Resenha

11 Respostas para “Histórias de amor duram apenas 90 minutos

  1. hahaha… já viram que o Pulei saiu n’O Globo e tudo?

    http://wp.me/pMCGh-a3

    Valeu pela força, meninas! Que bom que vocês nos encontraram e nos encontramos vocês!

    Se realmente o objetivo do nosso diretor era gerar identificação CONSEGUIMOS o/

  2. Larissa Rodrigues

    Natasha e Taís,

    Ia comentar o mesmo que já comentaram aqui… Tava aqui, olhando o O Globo e fui ler uma reportagem sobre esse filme. Parabéns!!!! Fiquei muito feliz por vcs, já até espalhei aqui no trabalho e fiz algumas ligações (tô parecendo uma maluca, mas tudo bem). Enfim, parabéns de novo e estou esperando mais posts. Beijos =D

  3. Raquel

    Pois é, eu vim direcionada pelo oglobo! hahah

    Eu ainda nao vi o filme, mas rapidamente associei a historia do Zeca com o livro “O Encontro Marcado” do Fernando Sabino publicado em 56!

    Talvez entao sempre tenha existido uma geracao que nao decola…

    • Raquel,
      que bom que encontrou o blog.
      E citou logo esse livro! Eu e Natasha lemos O Encontro Marcado, na verdade, ele tem toda uma importância pra nós e alguns amigos…

      muito legal!

  4. Pingback: Caiu na rede mas não é peixe « Histórias de amor duram apenas 90 minutos

  5. Heloisa

    Com o filme, acho que comecei novas historias de amor. Voces, Anita Lucchesi, muita gente boa e especial. Mulheres. Decididas, inteligentes, sensíveis e capazes. Voces me encantaram com seus textos mas, sobretudo com a dedicação e empenho com que trataram esse filme. Obrigada mais uma vez. Nossas histórias hão de durar muito mais que 90 minutos. Bjs

    • Heloisa,
      Quando assistimos ao filme, além da euforia causada pela identificação com a história, sentimos uma urgência. Era urgente para nós que este filme fosse visto, pensado, debatido entre pessoas não só da nossa idade, mas principalmente (pela própria questão da identificação mesmo).
      Isso porque cinema, e arte como um todo, para nós é um meio de pensar o mundo, e pensar é revolucionário. Acreditamos no Histórias de amor, porque acreditamos em uma arte nacional que se imponha para transformar a realidade, para a partir da fantasia nos fazer pensar e agir.
      Encontrar vocês e poder fazer parte disso, ajudar nessa divulgação, foi, então, transformar nosso pensamento em ação – logo, nos proporcionou uma satisfação imensa.
      Que seja só o início!
      Beijos

  6. Nossa, nem acredito que finalmente chegou a hora!

    Acho isso também, Taís, o filme mexe com a gente e não tem como ficar de braços cruzados sem divulgar, nem contar pra um amigo, quando se conhece um monte de Zecas.

    Eu tenho um amigo que vou levar pela mão ao cinema. Ele é supér, mas se deixa levar pela total descrença de tudo.

    Obrigada pelas palavras, Heloisa. O prazer de estar com vocês é todo meu.

    Taís, mais tarde, fechado? Qualquer coisa me liga, hein! Vamos comemorar!

    Beijos!

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