As Virgens Suicidas

As Virgens Suicidas é o primeiro longa de Sofia Coppola e trata-se da adaptação de livro homônimo (que eu recomendo, é bem gostoso de ler). Contendo uma trama mórbida, o filme inova pelo seu tom feminino – marca da obra de Sofia – leve e despretensioso.

A história das cinco irmãs que se suicidas é contada sob a perspectiva de um grupo de meninos que nutriam uma paixão platônica por essas. Assim, o que é relevante para a obra de Sofia é expor a interpretação desses sobre essa particular história, e não revelar o que realmente motivou o suicídio das meninas (afinal, existem respostas absolutas para este tipo de acontecimento?). Dessa forma, uma áurea fantasiosa perpassa as imagens, acompanhando a mente sonhadora dos meninos.

 O filme carrega esta áurea fantasiosa, incrementada por uma nostalgia e um romantismo, através de seu cenário, sua iluminação (diversas imagens sob uma luz solar remetem a sensação de um verão abafado, agridoce) e trilha sonora – elementos que Sofia sabe compor som maestria.

O ambiente familiar das irmãs é totalmente construído para provocar a idéia de clausura e de fato, sentimos, não só na casa das Lisbon, como em todo o bairro, um ar abafado. Já nas imagens destinadas a imaginação dos garotos, vemos as garotas em campos abertos, dançando, livres. As irmãs Lisbon são heroínas para eles, eles as usam como alimento para suas fantasias, viajam com elas, matam seus tédios. Inclusive, Sofia as apresenta como heroínas, como nas imagens abaixo.

Ao partir da visão dos meninos, Sofia nos insere dentro do mundo de paixões adolescentes, dando leveza à difícil temática. Se, no entanto, esse ambiente adolescente é passível de situações ridículas, cafonas e exageradas, a inocência dos personagens nos faz reconhecer a seriedade por trás desses excessos. A adolescência é um período marcado por deturpações, tomamos o mundo com uma intensidade única, o que nos leva a uma condição muitas vezes constrangedora, contudo, absurdamente honesta e vívida.

No fim, é esta a grande pulsão por trás de As Virgens Suicidas, as meninas perdem suas vidas, mas seus admiradores, ao recriarem um universo a partir dos vestígios de suas existências, intensificação e valorizam as suas próprias.

“E assim aprendemos sobre suas vidas e colecionávamos lembranças de tempos que não vivemos. Sentimos a clausura de ser uma garota, como deixava sua mente ativa e sonhadora e como aprendia quais as cores que se combinam. Sabíamos que as meninas eram mulheres disfarçadas que entendiam o amor e até a morte e nosso papel era apenas criar o tumulto que as fascinava. Sabíamos que elas sabiam tudo sobre nós e que nunca desvendaríamos seu íntimo.”

Escrito por Taís Bravo

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1 comentário

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Uma resposta para “As Virgens Suicidas

  1. Um belissimo emocional filme de Sofia, tão sensivel..tão real…gosto da trilha de Air pontuando as emoções do filme.

    Belo texto!

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