A Cinémathèque francesa

            Henri Langlois e Georges Franju colecionavam filmes. Como embriões da geração de cinéfilos que surgiria mais a frente, os dois amigos corriam atrás de cópias, projetores, câmeras, publicações… Era uma fascinação, um vício talvez. E assim foi surgindo, devagarzinho, a Cinemateca Francesa.

            Fundada em 1936, sob a direção de Henri Langlois, o “Museu do Cinema” tem um trajeto um tanto turbulento. Primeiro instalado em três andares na avenue de Messine, depois passando para um espaço maior (sala de projeção com 260 lugares, contra os escassos 60 anteriores) na rue d’Ulm, foi preciso desenvolvimento e reconhecimento nacional para chegar ao seu célebre endereço, no Palais de Chaillot. Em 1968, sob pressão do governo, André Malraux, então Ministro da Cultura, decide cometer a loucura de demitir Henri Langlois da Cinemateca. Em Paris, 1968. É claro que foi uma confusão, cineastas incríveis se juntam em um comitê e fazem manifestações que trazem Langlois de volta.

Em 1977, o pai da Cinémathèque morre, mas a instituição não para de crescer e, depois de um incêndio no Palais de Chaillot e muitos problemas, passa para o número 51 da rue de Bercy, onde se encontra hoje, sob a direção de Costa-Gavras. É possível ir até o grande prédio da Cinemateca (que não me agrada muito, acho que preferiria a sala pequena e antiga) e ver filmes, discutir sobre eles, fazer workshops e visitar o museu.

            A grande contribuição da Cinemateca na história da Nouvelle Vague vem a partir da intenção de seus criadores de não somente armazenar filmes, mas também realizar exibições seguidas de discussões, o Cineclube. Era dentro das inicialmente pequenas salas de cinema onde ocorriam as seções do Cineclube que se encontravam os adolescentes sem muito mais na vida além do amor pelo cinema como Eric Rohmer, François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette. Entre as conversas, filmes e “aulas” de cinema, surgiu a ideologia da Nouvelle Vague.

            Não há muito que dizer ou especular sobre a Cinemateca. Me parece simplesmente que, para Truffaut e companhia, foi simplesmente o lugar certo na hora certa. Encontrar um apaixonado pelo cinema que teve sucesso ao construir um espaço onde o estudo da sétima arte podia ser feito com liberdade como foi Henri Langlois na época em que as idéias fervilhavam e o mundo mudava tão rapidamente foi um golpe de sorte (para quem pode viver isso e para nós que hoje podemos desfrutar do que nasceu na pequena sala da avenue de Messine). Talvez seja de uma sorte dessas que precisamos para que venha um outro movimento que mude tanto a história do Cinema – e do mundo, pelo menos a minha vida influenciou – como foi a Nouvelle Vague.

Escrito por Natasha Ísis

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1 comentário

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Uma resposta para “A Cinémathèque francesa

  1. Bia Pimentel

    Chiquérrimo, direto de Pariiiiis!
    adorei o que li, vcs estão arrasando!
    beijos

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