Arquivo do mês: outubro 2009

Quase Famosos, contracultura, cool, honestidade e música

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Acho que sou a pessoa com mais manias que conheço, uma dessas manias é de ver os mesmos filmes mil vezes, digo, mil vezes mesmo. É algo que começou na minha infância, quando, para a infelicidade da minha mãe, eu assistia sem parar “A Princesinha”, “O Jardim Secreto”, entre outros filmes bonitinhos e alegres (incluindo um da Turma da Mônica onde o Chico Bento tinha uma rádio, nunca descobri que filme é esse, mas eu assisti inúmeras vezes, quase enlouquecendo meus pais).

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Na minha adolescência – que ainda não terminou completamente, ham – o maior filme preferido de todos os tempos foi “Quase Famosos”. Não sei mesmo quantas vezes eu o assisti, fato que foram mais de dez, de longe. Então, eu nem precisava rever para escrever sobre, mas, ah, até parece que isso é um sacrifício.

“Quase Famosos” é o meu filme adotivo preferido, desses que eu sei os diálogos de cor e não posso ouvir as músicas da trilha sonora (que vai muito além de Tiny Dancer) sem ser contagiada, é um filme que me fez e ainda me faz sonhar. Convenhamos, o filme retrata a vida na estrada de uma banda de rock em ascensão, acompanhada por um pirralho que é um novato jornalista musical, tudo isso nos anos 70, com cenários, roupas e músicas incríveis, só por esses elementos já merece ser um filme preferido. Mas “Quase Famosos” vai além desses símbolos fetiches da geração alternativa-cult-bacaninha, com um tom de entretenimento a história contém profundidade, aborda temas como a música e a indústria fonográfica (o termo “indústria do cool” citado é genial), conflitos entre pais e filhos, a contestação da ordem pelos jovens a partir de um novo comportamento e o dilema entre ser cool e ser honesto. É coisa pra caramba, e está tudo ali no filme, mesmo que não seja com uma seriedade obscura de um Bergman, mas está lá e quando se assiste aos quatorze anos é algo tão tocante que você quer viver naquele filme, tipo, pra sempre (e até hoje quando eu vejo fico louca pra sair pela estrada com uma banda e como não tenho talento musical algum – para minha profunda tristeza- aceito convites de músicos, okay? brinks – ou não.)

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A trama se inicia retratando a infância/pré-adolescência de William Miller, no final dos anos 60, ele recebe uma rígida educação de sua mãe, professora universitária, ao mesmo tempo em que é influenciado por sua irmã mais velha, Anita, considerada como rebelde pela mãe, pois adora Rock, beija meninos e não simpatiza com o ideal de vida defendido por essa. Esse conflito entre mãe e filha representa uma ruptura no pensamento jovem, não se deseja mais ter uma vida burguesa e estável como a dos pais, cursando universidades e terminando seus dias em empregos enfadonhos e lucrativos, há uma vontade de experimentar, vivenciar, esses jovens passam a ter uma nova percepção de suas existências, sentindo-se no direito de fazer dessas o que bem entenderem, sentem-se livres. E nada foi mais libertador do que o Rock, pelo menos dentro de uma cultura de massa, como Anita diz, ao entregar seus discos para o irmão mais novo, “Look under your beed, it Will set you free”*. É uma redescoberta da vida, um novo tipo de filosofia que choca a ordem e atemoriza os pais, como Caetano e Gil escreveram e  Os Mutantes consagrou: “Mas as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”, mas os jovens querem mais, querem viver suas vidas. Para tudo que era proibido agora existe a pergunta “por que não?”, a liberdade promove a transgressão da ordem.

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"NÃO USE DROGAS!", rs.

Há um pulo na história e William surge terminando o colegial, aos 15 anos, sendo um grande looser adorador de bandas de rock. Sua mãe se impõe para que ele curse a faculdade de direito e se torne um advogado, como era o seu sonho, mas ele, influenciado pela irmã (que agora não vive mais com ele), começa a se aventurar como jornalista musical.  Nesse ponto da história, surge o personagem de Lester Bangs (que de fato existiu), nos dando reflexões incríveis sobre Rock, como este foi deturpado pela indústria fonográfica, entrando em uma lógica do que é “cool” e perdendo a liberdade e a honestidade que o tornavam algo inspirador. Para algumas pessoas pode passar despercebido, mas esse personagem, com sua crítica, está ligado intimamente a absorção da contracultura pelo sistema, o que era transgressor e contestador de repente é assimilado pela ordem, tornando-se mais um produto capitalista e não uma arte original e criativa capaz de influenciar verdadeiramente as pessoas, proporcionando uma reflexão, inclusive, sobre nossa contracultura contemporânea, se é que ela existe (oi, MTV? nx zero? Lady Gaga sem calça se achando rebelde?).

Como jornalista musical, William passa a viajar com a banda Stillwater, a partir daí outros personagens interessantes vão entrando em cena. Dentre esses, Penny Lane é quase um clássico, a história de uma garota que vive viajando com bandas, sem revelar seu verdadeiro nome, criando para si mesma uma persona misteriosa é adorável. Penny representa bem o peso do “cool”, para ser a imagem que criou, ela se isola dentro de uma máscara, se percebermos, ela está sempre só no final dos shows e na verdade, está mesmo sempre sozinha, resguardada dentro de sua personagem onde não pode ser honesta, pois precisa continuar representando. No entanto, creio eu, que em uma coisa Penny Lane (aliás, ela é outra personagem que existiu) é honesta, na sua paixão pela música, sendo essa talvez a motivação para todas as farsas, como fica implícito em seu discurso: “Never take it serious, if you never take it serious, you never get hurt and if you ever get lonely, just go to the record store and visit your friends”**. Jeff Bebe é outro personagem interessante, o que representa de maneira mais exagerada a busca por ser cool dentro do rock, perdendo inclusive os princípios que o levaram a se tornar um músico e sendo algumas vezes um tremendo idiota. Mas é claro que quem mais se destaca é Russell Hammond, com seu charme e talento (“You are too good looking and too talent to be trusted”***) é o tipo de cara que não precisa se esforçar para conseguir o que quer, isso apesar de lhe dar um caráter irresponsável e egocêntrico, também marca sua relação com a música, sendo é algo que ama e faz sem grandes preocupações, tornando-se um amante honesto do rock. William vivencia a tudo isso e abdica do cool em nome da honestidade, perdendo a chance de se tornar “amigo” daqueles rock stars, prestando assim um favor ao rock e a arte de qualidade, o que ele realmente ama.

Talvez isso seja para mim o mais bonito de “Quase Famosos”, essa homenagem que presta a verdadeira arte, ao rock que amamos que nos liberta e inspira. É um filme que contesta a triste situação na qual o rock (e a arte em geral) se encontra e nos faz sonhar e desejar mais experiências honestas para nossas vidas, muito além do super hype cool. Sem dúvida foi o filme que me fez ter a tatuagem que tenho, a ter uma atração fatal por músicos (ó deus), a desejar mais da minha vida do que as pessoas da sala de jantar e a me apaixonar mais ainda pelos anos 60/70, por tudo isso e muito mais, Cameron Crowe tem um lugarzinho cativo no meu coração (que ele massacrou em “Elizabethtown”, mas tudo bem).

* “Olhe debaixo da sua cama, vai te libertar”

** “Nunca leve a sério, se você nunca levar a sério, você nunca se machuca e se você nunca se machuca, você sempre irá se divertir, e  se alguma vez se sentir sozinha, apensa vá a uma loja de discos e visite seus amigos”

*** “Você é bonito e talentoso demais para ser confiável.”

Escrito por Taís Bravo

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Arquivado em Fikdik, Resenha

It’s all happening!

O blog, aparentemente, está meio abandonado. Mas não pense que é por escolha nossa, acontece que as autoras deste blog, apesar da vibe abduzidas pelo cinema, tem uma vida pessoal para organizar (e ela geralmente é uma grande bagunça). Fora isso, também estamos (infelizmente) um pouco afastadas dos filmes, de novo, por culpa dessa vida pessoal desorganizada.

Mas como me dá dó ver esse blog abandonado, fiz uma listinha de dicas para vocês:

O blog do Domingos de Oliveira. De uma maneira descompromissada e leve, Domingos nos dá aulas de cinema com o seu blog, vale a pena conferir.

– A mostra “Filmes libertam a cabeça: R. W. Fassbinder” no CCBB. (Mostra essa que eu jurei que ia assistir pelo menos um filme, mas, é… dessa vez a preguiça também ajudou). Aliás, outra dica é a videoteca do CCBB que tem um arquivo gigante de filmes disponíveis por um preço amigo.

– O primeiro curta do Truffaut disponível no Youtube: “Les Mistons” (dividido em parte I e parte II).

– O blog do Zacca, meu miguxo, que não é só sobre cinema, mas tenho certeza que aborda temas interessantes aos admiradores do cinema de qualidade.

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"...if you never get hurt, you always have fun..."

Bom, por hoje é só isso. Mas prometo que durante a semana voltamos com resenhas, piadinhas e posts excepcionais para vocês, beijos!

Escrito por Taís Bravo

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Arquivado em Fikdik

Um mês

“Nunca esqueçamos que as idéias são menos interessantes que os seres humanos que as criam, modificam, aperfeiçoam ou traem.”

(François Truffaut)

Ou não, né? Afinal, o blog e os posts acabaram sendo bem mais interessantes que as autoras idiotas.

E já tem um mês =)

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em homenagem à Taís, "a princesinha"

Parabéns!

Escrito por Natasha Ísis

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Arquivado em The bitch is crazy

Motherfuckersuperestimadotarantino?

Mais da metade do mundo vai me achar uma chata por causa desse post, mas é, sorry, talvez eu seja mesmo… Acontece que não consigo entender qual foi da euforia “Bastardos Inglórios”? Pelo menos vendo o filme, eu não consegui sacar o que fez tanta gente postar no twitter e comentar por aí o quanto o filme é foda. O que me leva a especular que deve ter alguma relação com a publicidade (oi, não tem um ponto de ônibus sem o cartaz do filme?), com a quase vinda do Tarantino ao Festival do Rio, com o fato de todo mundo curtir nazistas sendo mortos loucamente (não que eu torça pela vida próspera desses, né?) ou simplesmente porque Tarantino se tornou um grande ícone e, portanto propenso a ser superestimado. Ou, minha opção mais temida e a mais possível, que eu seja uma chata mesmo.

Acontece que eu tenho implicância com filmes superestimados, muita implicância mesmo, acho chato filmes ganharem atenção e prestígio (e dinheiro) por uma fama construída a partir de euforias vazias e nada merecidas, me irrita, acho injusto. E aí, po, Tarantino nem tem culpa se ele tiver uma legião de fãs com pouco senso crítico e uma produtora fodona que garanta seu sucesso independente da qualidade de seus filmes – então, se você ler isso budy, não me leve a mal, não é pessoal (até porque, sei lá, tenho um pouco medo dele). Mas, bem, alguém tem que dizer que, pera lá minha gente, efeitos incríveis, criatividade inquestionável, algumas atuações boas, trama envolvente, mas que mais? O roteiro está longe, mais muito longe de ser tão inteligente quando “Pulp Fiction”, as cenas de ação também nem se comparam com as de “Kill Bill”, fotografia mediana, etc, etc… Bastardos só tem como apelo um tema mais polêmico e o sadismo exaltado de Tarantino. Mas é entretenimento, tanto quanto os outros, no entanto, de qualidade inferior. Então por que tudo isso? É só o que eu queria saber.

Não acho Tarantino profundo, sei lá, vai ver é falta de sensibilidade ou inteligência da minha parte. Mas eu realmente não creio que essa seja a proposta dele, o vejo muito mais como um cineasta que gosta de chocar o público, e faz isso muito bem, o entretendo do início ao fim de um filme. A criatividade, a capacidade de misturar diferentes elementos em um tema, de criar tramas e diálogos complexos e de fazer as cenas de violência mais impensáveis e sádicas que já existiram, por tudo isso Tarantino merece ser reconhecido. Eu li em algum texto do Truffaut que você não deve questionar as “manias” de um cineasta – é mais ou menos isso, não tou com o texto aqui pra explicar melhor – então, se Bertolucci é um ninfomaníaco, você tem que aceitar, porque é isso o que o torna Bertolucci. Fico pensando se o problema não é esse, se eu não estou esperando do Tarantino algo que não é dele – porque, é, sei que adoraria ver outra abordagem da trama em vez daquele sangue todo. No entanto, eu adorei “Pulp Fiction” quando vi e ”Kill Bill” também, mesmo eu não sendo muito fã de filmes de ação/violência, tenho consciência que Tarantino vai muito além desses gêneros e admiro seu trabalho. E como admiradora – mas não exatamente especialista, ok, deixo bem claro – não entendo o porquê desse rebuliço com “Bastardos Inglórios”. Não me cativou, não me proporcionou muitas risadas e saí do cinema pronta pra esquecer tudo. Então, por favor, de verdade, me digam: Por que vocês gostaram de “Bastardos Inglórios”?

Escrito por Taís (chata) Bravo

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Resenhas instantâneas – Festival do Rio – Mamãe foi ao Salão

 “Mamãe foi ao Salão” para mim foi o filme mais emocionante do festival. Não imaginava que a trama de três filhos que precisam lidar com a ausência da mãe, fosse me emocionar de maneira tão visceral, mas as lágrimas nos meus olhos comprovaram o quanto o filme é comovente.

 

O filme é de uma delicadeza tocante. Tem o tal carisma cedido pelas crianças – como eu disse aqui – uma composição estética brilhante, cores lindas, roteiro incrível, singelo, inteligente e envolvente. Dá prazer e promove reflexões, sem estardalhaços, de maneira natural.  

 

  O filme se inicia com um bombardeio de cores e luzes, e crianças dando início às férias de verão. A simples alegria cotidiana de ser uma criança contagia o espectador de maneira nostálgica, e não tem como não achar bonito uma mãe recebendo seus filhos com o bolo preferido destes. A harmonia da família parece inabalável, perfeita. O carinho da mãe pelos filhos e o prazer que as crianças tiram das coisas simples, são tocantes. Até que tudo muda, a mãe vai embora, trabalhar como âncora em Londres, para sobreviver ao abalo da traição do marido, e eles, então, se deparam com uma nova realidade, onde os falta a principal referência.

  

Dentro dessa mudança é a visão de Elise, a irmã mais velha, que merece destaque. Elise não é mais uma criança e, em meio às dificuldades, se vê obrigada a olhar por seus irmãos, floresce aí um espírito maternal e desenvolve uma maturidade forçada, e por ser forçada acompanhada de revolta. Ela vivia uma felicidade inquestionável, mas com a partida da mãe, não só perde suas tranças, como descobre a tristeza, o mundo se torna incompreensível e, portanto passa a observá-lo com mais detalhes, buscando respostas em dores que antes lhe passavam despercebidas. De repente, não olha só por seus irmãos, mas por todas as crianças da vizinhança, desmistificando o provérbio de que a grama do outro é sempre mais verde, Elise sente o desajuste de todas as famílias, de todas as pessoas.

 O filme aborda essa temática difícil, dolorosa, sem perder suas cores vivas, pois se apóia na leveza das crianças, na maneira alegre com que lidam com seus pequenos dramas, e dentre as grandes sacadas do filme está a cena delas brincando ao som de Happy Together (The Mamas and The Papas, cara! lindo!). O que a trama nos promove, é a descoberta dessas crianças de um mundo diferente, onde perdem suas referências e estranham a realidade, sem, contudo, perderam a felicidade e a esperança, a qualquer momento mamãe pode voltar.

Enfim, é belíssimo, um filme completo, com roteiro e estética maravilhosas e, o melhor, com carisma. Quem não se emocionar ganha pra mim o título de coração de gelo na vida inteira.

 

PS: O Festival acabou, mas “Mamãe foi ao Salão” está na repescagem.

13/10/09 – 17:30 – Espaço de Cinema

 

Escrito por Taís Bravo

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Festival do Rio – Troféu Redentor 2009 e Repescagem

Como “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”, o nosso amado e odiado Festival do Rio chegou ao fim. Ontem, no Odeon, foi a cerimônia de encerramento e entrega do Troféu Redentor 2009.

“Histórias de amor duram apenas 90 minutos” não levou nenhum troféu, o que me deixou com aquela sensação de injustiça, mas, verdade seja dita, não posso dizer nada sobre as escolhas. Admito, com alguma vergonha, não ter visto nenhum dos grandes vencedores. Meu sonho de ver vários filmes foi destruído pela faculdade. Então, da lista do Troféu Redentor, só tive a oportunidade de assistir o curta “Sildenafil” e, sinceramente, só deu pra ser eleito por voto popular mesmo; muita gente se acabou de rir do roteiro forçado saído da idéia inicial até interessante do casal em crise emocional e sexual.

Enfim, aqui está a lista dos vencedores:

Melhor Longa-Metragem de Ficção: Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filho

Melhor Longa-Metragem Documentário: Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, e Reidy, A Construção da Utopia, de Ana Maria Magalhães

Melhor Curta-Metragem: Olhos de Ressaca, de Petra Costa

Menção Honrosa: Sildenafil, de Clovis Mello

Melhor Direção: Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, por Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

Melhor Ator: Chico Diaz e Luiz Carlos Vasconcelos, por O Sol do Meio Dia

Melhor Atriz: Nanda Costa, por Sonhos Roubados

Melhor Atriz Coadjuvante: Cássia Kiss, por Os Inquilinos, de Sergio Bianchi

Melhor Ator Coadjuvante: Gero Camilo, por Hotel Atlântico

Melhor Roteiro: Beatriz Bracher, por Os Inquilinos, de Sergio Bianchi

Melhor Montagem: Renato Martins, por Tamboro, de Sérgio Bernardes

Melhor Fotografia: Heloísa Passos, por Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e O Amor Segundo B. Schianberg

Prêmio Especial de Júri: Tamboro, de Sérgio Bernardes

Menção Honrosa: Fulvio Stefanini, por Cabeça a Prêmio

Melhor Longa-Metragem de Ficção de Voto Popular: Sonhos Roubados, de Sandra Werneck

Melhor Longa-Metragem Documentário de Voto Popular: Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor Curta-Metragem de Voto Popular: Sildenafil, de Clovis Mello

– Ah, o Festival acabou oficialmente, mas na verdade ainda há a chance de ver alguns filmes nos próximos dias. Para quem quer se desesperar mais um pouquinho fazendo uma programação pra tentar recuperar o tempo perdido (que nem eu), segue o link para os horários da repescagem: http://www.grupoestacao.com.br/festivaldorio/2009/repescagem.html

Escrito por Natasha Ísis

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Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos – Parte 2

Eu tenho uma mania: assim que acabo de ver um filme vou logo pesquisar sobre ele. Gosto disso porque é uma maneira de descobrir mil informações que passam batidas ao se assistir só uma vez uma produção. Filmes falam muito mais do que imaginamos.

Com “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” não foi assim. Não que eu não tenha ido pesquisar sobre ele (mania é mania), mas não senti tanta necessidade de fazer isso – ao sair da sala de cinema, senti ter compreendido quase tudo.

Paulo Halm conseguiu realizar um filme sobre uma geração com uma clareza e precisão admiráveis. As locações, a fotografia, a câmera, os personagens, tudo se encaixa e provoca identificação no espectador. É difícil ser carioca e não reconhecer as ruas do Centro e a praia de Ipanema, mas mais difícil ainda é ser apresentado aos personagens e não sentir já tê-los conhecido.

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Não sei quanto à maioria dos leitores do blog, mas eu conheço algumas Júlias – mulheres lindas, inteligentes, decididas e frias aos olhos de muitos, mas capazes de largar uma bolsa de estudos dos sonhos em Paris por amar um homem. Também já encontrei Caróis, espontâneas, divertidas, liberais e absolutamente inconseqüentes. Sem falar na galera “cool”, onde há espaço para sexo, drogas, rock’n’roll, samba e poesia. E o Zeca. Pois é. Ele não é o personagem principal desse filme por acaso – ele é a geração inteira que Paulo Halm deseja retratar.

Zeca tem 30 anos e vive como adolescente. Não tem emprego, perspectivas ou confiança no seu talento, passa os dias fumando, bebendo, lendo e fingindo escrever. Zeca é um escritor que não escreve, um projeto estagnado, uma farsa. E ele sabe disso, mas não sabe o que fazer para mudar sua vida. As coisas acontecem na sua frente e ele não consegue controlá-las. E isso o angustia.

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Em uma entrevista, o diretor e roteirista de “Histórias…” disse:

“O filme é sobre a geração que, apesar de ter talento, nunca decola. São escritores que escrevem e não publicam, cineastas que não filmam, compositores que não gravam…”

É exatamente isso que vemos na tela. Através de conflitos internos, triângulos amorosos, crises existenciais, problemas familiares, paixões e outras pequenas trivialidades tão presentes e importantes em nossas vidas, Paulo Halm fez um ótimo filme, além de ser muito atual. Vejam, seja para se identificar ou só para conferir o funk do Baudelaire (g-e-n-i-a-l).

Escrito por Natasha Ísis

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